Quem não tem cão caça com a mão mesmo !

Junho/2014

 

Tenho ouvido muitos gestores de organizações de respeito e altamente graduados uma reclamação que faz parte do repertório empresarial há muitos anos. Estou falando da falta de profissionais qualificados em nosso país.

Nos anos 1980. Quando iniciei para valer minha carreira essa reclamação se referia apenas a profissionais operacionais, mas hoje percebo uma situação generalizada em todas as camadas de uma empresa.

A grande questão que se tem colocado é que, pior do que a má preparação técnica, profissionais que saem das universidades e escolas técnicas sem saber realmente exercer suas atividades, é a má preparação como cidadãos profissionais. Pessoas comprometidas com sigo mesmas e com seu ambiente de trabalho. Que se dedicam com vontade e inteligência buscando resultados sempre melhores. Essa categoria de pessoas está em falta!

Aliás, esse é um ponto muito interessante, porque temos observado um crescente número de profissionais que reclamam quando se fala em produtividade e resultados. Parece que essas palavras são uma ofensa, provocando rações que beiram a violência. Há uma grande resistência em medir performance de forma científica e demonstrá-la publicamente. Parece que é proibido mostrar resultados, sejam eles bons ou ruins. As associações de classe lutam por ganhar mais, porém sem seu correspondente em inovação, produtividade, dedicação e comprometimento.

Diante de um quadro como este, que demonstra claramente a precariedade da educação tanto escolar como familiar, formal e informal em nosso país, não vejo outra forma das empresas privadas progredirem solidamente se não assumir a responsabilidade pela transformação dessas pessoas em profissionais de verdade.

Repetindo. Não falo apenas da formação técnica, mas também da social, cidadã, ética e moral, como cidadãos úteis e progressistas na sociedade.

Eu sei o que você está pensando. Mas essa é uma responsabilidade do governo, pagamos altos impostos para isso!

Isso é verdade, e merece uma atuação mais presente do empresariado sobre os homens de nossa política no sentido de exigir uma atuação mais firme dos governantes na montagem de processos educacionais mais efetivos e consistentes. Porém, essa é só uma parte da solução. A outra é: Até quando você, gestor de uma organização que compete em um mercado mundial, está disposto a esperar que esse modelo educacional surja e de frutos?

Se a sua resposta for algo parecido com “não há tempo, é necessário profissionais agora”, sugiro que você comece a correr! Ao menos em sua organização construa pessoas de alta performance.

Você pode começar por desenvolver uma estrutura e metodologia de ensino de sala de aula, construindo departamentos de treinamento e educação voltados para as necessidades técnicas e cidadãs de sua organização, como algumas grandes empresas já estão fazendo. Inclua no programa de formação e aprendizagem conteúdos que promovam a incorporação de comportamentos éticos, cidadãos, comprometimento, esforço e dedicação tanto quanto, ou até mais, você promove comportamentos técnicos. Ensine as pessoas, que promoções, aumentos de salário, melhoria em benefício, prêmios, etc., são consequência direta de esforços individuais e de equipe capazes de garantir produtos e serviços de alta qualidade e que a sociedade pode comprar, recomprar e recomendar. Não de badalações, mentiras, omissões de informações, punições, etc.

Mas, posso garantir a você, que o principal ensinamento vem do dia a dia, das efetivas práticas cotidianas e procedimentos da liderança em sua responsabilidade por dirigir em grupo de pessoas na construção de uma organização que busca por realizações úteis a uma sociedade de forma sustentável.

Se você deseja realmente construir uma equipe diferenciada e de alta performance precisa praticar, todos os dia, comportamentos que eduquem e formem essas pessoas nessa direção.

Fundamentalmente é necessário definir claramente que tipo de gente você quer em seu grupo. Se você deseja mesmo pessoas técnicas e socialmente competentes, descreva as práticas que elas devem executar com riqueza de detalhes, para que você possa ter uma visão clara do que elas fazem no dia a dia, e para que elas tenham certeza do tipo de atitudes que precisam praticar nesse grupo organizacional.

Comunique, ouça sugestões, debata e construa a compreensão necessária para a efetiva prática dessas atitudes dia a dia. Faça com que todas as pessoas assumam essas atitudes pela compreensão das consequências que produzirão em suas vidas, tanto no trabalho como fora dele.

Acompanhe diariamente essas práticas agindo com firmeza diante de atitudes colaborativa e prejudiciais. É fundamental seu exemplo como líder, proporcionando oportunidade para que as pessoas sejam elogiadas por seus atos contributivos e corrigidas por seus atos prejudiciais de forma educativa, com orientação na direção de comportamento mais contributivos.

Por fim, é necessário montar processos corporativos formais e claros de reconhecimento diferenciado. Promoções, prêmios, remuneração, etc., como consequência da efetiva prática de atitudes técnicas, profissionais e sociais que efetivamente contribuíram para as realizações desejadas. Não somente resultados técnicos, como produtividade, vendas, etc., mas também resultados não técnicos como a criação de projetos inovadores, auxílio a equipes e colegas em apuros, criação de textos e informações relevantes, etc.

Parece simples, mas requer muita perseverança e disciplina de sua parte em manter suas atitudes na educação e construção dos comportamentos e realizações desejadas por todos. Você, gestor, se torna o construtor de uma nova cultura onde as pessoas praticam efetivamente atitudes profissionais contributivas de forma objetiva, organizada e de propósito. Portanto, você se torna o exemplo a ser seguido!

Tente, vale a pena!

Lauter F. Ferreira
Ayres & Ferreira Ltda.
Melhorando a Performance Humana
lauterferreira@ayreseferreira.com.br