Produtividade

Junho/2010

 

Recente pesquisa divulgada em nível nacional pela televisão nos mostra que a produtividade em nosso país é uma das piores do mundo. Nessa pesquisa, segundo a fonte de divulgação, a produtividade é medida em termos de quantidade produzida em relação ao volume de recursos utilizados para essa mesma quantidade produzida. Ou seja, quanto maior o volume produzido e/ ou menor a quantidade de recursos utilizados melhor é a produtividade.

Diversos fatores podem ser encontrados como explicação para esse resultado ruim. Máquinas e equipamentos antigos ou em estado operacional ruins, baixo nível tecnológico dos processos de produção, qualidade ruim da matéria prima, nível de conhecimento aplicado insuficiente, etc.

É obvio que estamos falando de um resultado geral. Dentro desse caldeirão há muitos empresários que atingiram um patamar de excelência em todos esses fatores, conseguindo um nível de produtividade muito alto em suas organizações. Puxando o índice de produtividade do país para cima. Mas há uma quantidade muito maior que puxa para baixo. Há uma quantidade enorme de dirigentes que se esforçam, mas ainda não chegaram nem perto de um patamar de excelência mais aceitável. Há ainda uma grande quantidade de dirigentes que ainda pensa que produtividade é segundo plano. O negócio é produzir, não importa como, e vender no mercado. O mercado existe mesmo! E está em expansão! Há espaço para todos!

Embora haja realmente muitos fatores interligados que estejam provocando esse resultado ruim, há um que no meu entender é preponderante. Eu diria que é a causa da causa. Ou, em uma linguagem mais técnica, a raiz do problema: O nível de conhecimento e inteligência aplicados.

Em nosso país ainda é muito pequeno o volume de pessoas que têm acesso aos cursos técnicos e universitários. Desses, é menor ainda aqueles que se dedicam à pesquisa básica e ao desenvolvimento tecnológico. Desses, é ainda menor o volume de descobertas que realmente se transformam em novas tecnologias, equipamentos, produtos e materiais.

Muito desse conhecimento ainda fica por muito tempo dentro dos laboratórios das universidades ou nos laboratórios próprio de algumas organizações. Circulando entre poucas pessoas que poderão utilizá-los algum dia. Não chegam a ser utilizados de forma contributiva. Apenas uma parte do conhecimento gerado chega nas mãos do pessoal técnico das empresas que podem transformá-lo em produto. Quando isso acontece esses técnicos desenvolvem materiais, processos, máquinas e equipamentos que serão operacionalizados por pessoas sem um mínimo de conhecimento para fazê-lo. Mais, serão orientados e acompanhados por outras pessoas, encarregados, com muito pouco conhecimento técnico e habilidade de liderança para fazê-lo.

Trabalhei em uma empresa transporte de passageiros onde o dono se orgulhava de ter comprado um ônibus de ultima geração. Mas sentia muito medo quando entregava esse mesmo ônibus para ser dirigido por um motorista que ganhava salário mínimo, havia aprendido a dirigir não se sabia em que escola, era liderado por um capataz que havia muito tempo não dirigia um ônibus e não tinha nem o curso secundário realizado.

Muitas organizações gastam verdadeiras fortunas na aquisição de máquinas e equipamentos de última geração e colocam-nas nas mãos de pessoas que despenderão uma grande quantidade de tempo e recursos até atingir um nível operacional adequado, o chamado “ponto de equilíbrio”. Nesse momento já foram gastos muitos recursos e a produtividade já baixou enormemente!

Assim, é necessário que os dirigentes organizacionais, governamentais e educacionais façam um esforço muito grande no sentido de aumentar o volume de geração de conhecimento, de sua transformação em produto utilizável e de operacionalização dessas tecnologias. Mas, fundamentalmente é necessário um esforço e dedicação muito forte dos dirigentes empresariais, no sentido de fortalecer o conhecimento de todo seu pessoal operacional para que a utilização de equipamentos, máquinas e processos atinja um nível de excelência no menor espaço de tempo possível.

Lauter F. Ferreira
Ayres & Ferreira Ltda.
Melhorando a Performance Humana
lauterferreira@ayreseferreira.com.br