Desmonte !

Maio/2017

 

A explosão da crise econômica e política que estamos vivendo, aliada ao comportamento instituído de dirigir organizações por meio de ações rápidas mesmo que atabalhoadas, olhando mais as correções de erros depois que eles acontecem, do que sua prevenção por meio de processo mais robustos, levou a maioria das organizações a um caos generalizado.

Com redução de receitas e aumento de despesas cada vez mais evidentes nos relatórios financeiros, os dirigentes partiram para o que todo mundo faz nessa hora: demissões em massa, mesmo sem critérios muito claros; é urgente tem de ser rápido; corte nos investimentos em equipamentos; corte de despesas com viagens; e muito mais…

Esta decisão e sua prática criou um desmonte da estrutura orgânica: um empregado teve de assumir atividades de outro empregado que deixou a organização; encarregados (lideres) passaram a executar funções operacionais; gestores de uma área passaram a se responsabilizar por áreas que até então não conheciam; o volume de produtos devolvidos por má qualidade aumentou; parte dos profissionais passou a executar várias funções além da qual foi contratado e começam a exigir compensação salarial, aumentando ainda mais a pressão sobre o gestor; e, por aí vai…

O que temos encontrado nas organizações é um verdadeiro caos operacional criado por um certo caos de liderança e gestão frente a um grande caos econômico, social e mercadológico.

Porém, conforme o tempo vai passando, com a situação ambiental se mantendo recessiva, ou até piorando, esse caos estrutural leva à falência. Lembro-me de uma frase que gosto de repetir: as organizações morrem por suicídio, não por assassinato. A organização chega a um patamar de receita que não cobre mais as despesas. As reservas monetárias acabam ou chegam a um patamar que já não é mais suficiente para os investimentos necessários para reverter o desmanche interno. Como afirmou Dudley Lynch e Paul Kordis “o esforço necessário para reverter um cenário decadente vai ficando cada vez maior conforme a degeneração vai aumentando”. Exigindo cada vez mais recursos. Até chegar ao chamado ponto de falência.

A saída? Inteligência aplicada! Revitalizar recursos e comportamentos para o novo cenário!

Gestores e profissionais identificando claramente o cenário externo e interno para definir produtos e serviços que agregam valor ao cliente e que devem ser melhor trabalhados em sua produção, no mercado e na venda, eliminando aqueles que não são mais rentáveis ou que estão obsoletos, na visão do mercado.

Gestores definindo atividades úteis que devem ser continuadas ou até iniciadas bem como atividades inúteis que devem ser interrompidas, utilizando melhor os recursos disponíveis, sem a necessidade de aumentar despesas com novos recursos.

Gestores liderando suas equipes em um esforço concentrado na busca por novos mercados para os mesmos produtos, saindo da acomodação de satisfazer um mercado específico, provocada por anos de bonança, enquanto outros mercados ficaram abertos a outros concorrentes.

Transferências de potencial humano de atividades e funções desnecessárias, ou que foram reduzidas, para funções mais importantes e necessárias nesse novo cenário. Por exemplo, transferir pessoas da produção e administração para vendas e atendimento a clientes. Principalmente abrindo novos mercados.

Há uma infinidade de oportunidades que podem ser criadas e aproveitadas apenas utilizando os conhecimentos disponíveis dentro e fora da organização e um bom método de gestão corporativo, garantindo a subsistência e criando as bases para o crescimento contingente. Não há necessidade de desespero!

Há necessidade de construir uma nova estrutura de recursos e comportamentos, capaz de produzir bens e serviços com o custo necessário, sem desperdícios, a preços que o novo padrão social pode pagar e sentir-se feliz, criando uma cultura corporativa que se mantem autossustentável em qualquer situação que se apresente.

Uma nova “ordem” organizacional está surgindo!

 

Pense nisso.

 

Lauter F. Ferreira
Psicólogo CRP-06/09138-0
Autor do livro: “Construindo Equipes de Alta Performance”
lauterferreira@ayreseferreira.com.br
www.ayreseferreira.com.br